
Aqui você conhecerá a história que nos motivou a mantê-la viva. Recordar é viver!

O que é uma balsa?
Uma balsa é composta por um grande número de árvores, pesando individualmente 2800-3000kg, amarradas com cipó. Nas extremidades ficavam 4 remos que ajudavam a conduzir a embarcação, coordenados por 8 homens, mais alguns homens ficavam no descanso para revezamento e tinha-se ainda, um cozinheiro e o responsável pela balsa que conhecia todo trajeto como a palma de sua mão. Eles enfrentavam muitos perigos ao longo da descida, além de terem que ultrapassar 28 obstáculos. O que os encorajava era a fé e o amor a sua família que estavam a orar por eles. Uma viagem de balsa demorava até 3 meses para ser concluída e nesse tempo, as mulheres tinham que cuidar da propriedade sozinhas.
Como a atividade iniciou na região?
João Simon que também foi um dos primeiros colonizadores, iniciou uma atividade de destaque em Itá, que pendurou por muitos anos e garantiu o sustento de muitas famílias. Ele, através de uma expedição pelo velho Rio Uruguai, reconheceu todos os possíveis empecilhos e pensou em formas de ultrapassá-los, logo depois, sai a primeira balsa tripulada de Itá, com destino a San Tomé na Argentina, para a comercialização das enormes toras, percorrendo 580 km rio abaixo, diante de todas as intempéries.
Os primeiros exportadores de Santa Catarina
No começo dos anos XX (20) com a abertura das clareiras nos matos para o plantio de subsistência das famílias, grandes árvores atrapalhavam o manejo das lavouras, isso faz com que, a extração das árvores começa a ser pensada pois também, rendiam economicamente. Começando assim o período de exportação de madeira, feita pelos balseiros, sendo o cedro a principal madeira vendida, por ser mais leve que a água, podendo ser transportava facilmente, suportando o peso de homens encima dela. Para agrupar as toras, se utilizava cipó. E com remos, seguiam Rio Uruguai abaixo, rumo a venda na Argentina.


Os balseiros
Os Balseiros do Uruguai foram uma classe trabalhadora, inserida no ciclo econômico madeireiro entre os anos de 1920 a 1960, responsável pelo transporte de comboios de balsas de toras e madeira serrada, utilizando-se do Rio Uruguai para a navegação fluvial em fluxo livre. As viagens tinham como origem diversas áreas de exploração e beneficiamento de madeira nativa, localizadas nas atuais mesorregiões Oeste Catarinense e Noroeste Rio-Grandense, com destinos à cidade gaúcha de São Borja (RS), para comercialização. Após o fechamento do negócio, a madeira era transbordada para outro modo de transporte, na cidade argentina de Santo Tomé e seguia viagem ao destino final. Os balseiros, então, com o soldo na mala de garupa, regressavam para os respectivos lares e família.
As balseiras
Enquanto os balseiros desciam com as balsas, as mulheres tinham que cuidar dos filhos, da propriedade, plantar seus alimentos e acima de tudo, ter fé para que tudo ocorresse bem. Verdadeiras heroínas que bravamente cumpriram o papel de chefes da propriedade. Outras mulheres que exerceram papel de destaque eram as benzedeiras, as parteiras, as professoras dentre muitas outras funções que tinham que exercer.


O caminho
O caminho não era fácil, 28 obstáculos amedrontavam os peões, pois alguns perderam suas vidas neles.
O balseiro Severino Aigner, comenta em um documentário que chegando perto do Salto, eles não se conversavam mais, pois esse era o momento de pedir proteção a Deus.
O que recompensava era o dinheiro oriundo da venda da madeira, que se torna o primeiro grande movimento econômico da nossa região.
Se fossemos comparar uma balsa com 250 árvores de 4 cúbicos cada, seria equivalente a 3 milhões de reais.
Depois da venda das madeiras em San Tomé na Argentina, os balseiros voltavam de trem até Barros (atual Gaurama RS) e depois tinham que percorrer mais 90 km a pé, quando escurecia, montavam acampamento para passar a noite e pela manhã continuavam a jornada, até chegar em suas casas em Itá.
Quando chegavam, toda a comunidade comemorava, pois diretamente ou indiretamente acabavam recebendo os dinheiros da venda das madeiras, esse dinheiro fez girar a economia local por muitos anos e garantiu muitas colônias de terras às famílias.
E essa era uma atividade de tão grande importância, que em um ano foi atrasado a festa do padroeiro de Itá (São Pedro) porque os balseiros ainda não tinham voltado, logo, não se tinha dinheiro girando na cidade?
Assim que eles voltaram, comemorou-se a festa com muita alegria e comilanças.
